Amor é fogo que arde sem se ver
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís de Camões
23 de nov. de 2009
20 de nov. de 2009

Vinicius de Moraes
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Amores
- Sabe, querida, quando você fala me faz lembrar o mar...
- Puxa, amor. Não sabia que te impressiono tanto.
- Não é que me impressione. É que enjoa.
Amor II
- Querida, vamos ter que começar a economizar.
- Tudo bem.. Mas como?
- Aprenda a cozinhar e mande a empregada embora.
- Tá legal... Então aprenda a fazer amor e pode dispensar o motorista.
Amor III
Adão e Eva passeavam pelo Paraíso. E a Eva pergunta:
- Adão, você me ama? E o Adão, resmungando:
- E eu lá tenho outra escolha?
Amor IV
O cara pergunta para a mulher:
- Querida, quando eu morrer, você vai chorar muito?
- Claro, querido. Você sabe que eu choro por qualquer besteira...
Amor V
Na cama, o marido se vira para a jovem esposa e pergunta:
- Querida, me diga que sou o primeiro homem da sua vida.
Ela olha para o babaca e responde:
- Pode ser... Sua cara não me é estranha...
Amor VI
Um casal vinha por uma estrada do interior, sem dizer uma palavra. Uma discussão anterior havia levado a uma briga, e nenhum dos dois queria dar o braço a torcer. Ao passarem por uma fazenda em que havia mulas e porcos, o marido perguntou,sarcástico:
- Parentes seus?
- Sim, respondeu ela. Cunhados e sogra...
Amor VII
Marido pergunta pra mulher:
- Vamos tentar uma posição diferente essa noite?
A mulher responde:
- Boa idéia, você fica aqui em pé na pia lavando a louça e eu sento no sofá!!!!!
Amor VIII
a mulher compra um kit da Tiazinha para surpreender o maridão que há tempos não se animava.
- E aí, querido? Com quem eu fiquei parecida?
- Do pescoço pra cima com o Zorro, do pescoço pra baixo, com o
Sargento Garcia.
Amor IX
O marido decide mudar de atitude. Chega em casa todo machão e ordena:
- Eu quero que você prepare uma refeição dos deuses para o jantar
e quando eu terminar espero uma sobremesa divina. Depois do jantar você vai me fazer um whisky e preparar um banho porque eu preciso relaxar. E tem mais. Quando eu terminar o banho, adivinha quem vai me vestir e me pentear?
- O funcionário da funerária... - respondeu placidamente a esposa.
Amor X
Querida, o que você prefere? Um homem bonito ou inteligente?
Nem um, nem outro. Você sabe que eu só gosto de você.
Amor XI
Marido e mulher estão tomando cerveja num barzinho. Ele vira pra ela e diz:
- Você está vendo aquela mulher lá no balcão, tomando whisky sozinha? Pois eu me separei dela faz sete anos! Depois disso ela nunca mais parou de beber.
A mulher responde:
- Não diga bobagens. Ninguém consegue comemorar durante tanto tempo assim!
18 de nov. de 2009
A necessidade de encarar o Bicho-papão.
Eu nunca tive problemas com o Bicho-papão. Mas minha irmã caçula, sim. Ela passou meses sem dizer nada. Toda noite ia dormir na minha cama, por causa de uma lagartixa, pernilongo ou pesadelo. Comecei a desconfiar e um dia descobri: era um monstro que vivia dentro do armário.
“Você vai ter que encarar esse monstro”.
“Não”.
“Vai”.
“Não”.
“Vai. Vamos lá”.
As portas do armário estavam fechadas.
“Ai... To com medo...”.
“Para como isso! Eu vou abrir o armário e você vai olhar. Não vai ter nada lá dentro”.
Coloquei as mãos nos puxadores e olhei para trás. Ela tinha fechado os olhos.
“Abra os olhos!”.
Esperei um pouco. Encostei o ouvido na porta do armário.
“Ouviu?”, ela perguntou.
“Ele tem a respiração pesada?”.
“Tem!”.
“Hum...”.
“Vamos embora”.
“Não. Fica aí e abra os olhos”.
Esperei mais um pouco, para pegar coragem.
“Vai ser rápido. Eu abro e você olha. É para olhar, hein!”.
“Tá. Abre logo, então”.
Escancarei as portas e dei de cara com a criatura mais horrenda que já vi na vida. Saí correndo, aos berros, tropeçando nas escadas e só parei de correr quando alcancei o quintal.
“Eu avisei...”.
Vitória dela.
Conto de Índigo (Cobras em compota).
12 de nov. de 2009
O pai chegou em casa com ar sisudo e começou aquele papo manjado:
“Filho, precisamos ter uma conversa de homem para homem”.
“Neste caso, pai”, disse o menino, “não é melhor esperar eu crescer um pouquinho?”.
“Não. Tem que ser hoje, agora, já”.
“Ta bem. Mas posso saber o que é que está pegando?”.
“Como assim, pegando?”.
“Onde foi que deu zebra?”.
“No seu boletim”.
“Demorou”.
“Como?”.
“Algo errado com o boletim?”.
“Tudo. Não viu as notas?”.
“O boletim veio endereçado a você, pai. É feio violar correspondência alheia”.
“Mas as notas são suas. Baixíssimas”.
“Olhando por que critérios?”.
“Do razoável, meu filho. Do bom senso, da coerência acadêmica, das exigências mercadológicas”.
“Não tem nenhuma dessas cadeiras lá no meu colégio”.
“Não seja debochado”.
“Não esquenta, pai”.
“Não esquenta, o quê?”.
“A cuca, a mufa, os neurônios”.
“Vou tirar você do colégio”.
“Sábias palavras”.
“Vou arrumar um emprego para você. Oitos horas por dia, de segunda a sábado”.
“Sujou”.
“Onde você quer trabalhar?”.
“Câmara dos Deputados, Senado Federal, um ministério qualquer. Um lugar onde eu possa estar sempre metido em falcatruas”.
“Nem pense nisto, pelo menos enquanto eu for vivo!”.
“Ta vendo que existem coisas piores?
Relaxa, velho. Assina o boletim”.
Conto de Luís Pimentel. (cabelos molhados)

